Cão é um preconceito linguístico ou simples preferência?
Quem tem um cachorro em casa sabe que a relação com esses animais vai muito além de uma simples convivência. E deve saber se chamá-lo de cão é um preconceito linguístico ou simples preferência.
Essa é uma curiosidade que sempre vem à tona, devido às associações, muitas vezes maldosas, que se faz com esse termo.
Como chamar os amigos confidentes?
Cães se tornam parte da família, companheiros fiéis e, muitas vezes, verdadeiros confidentes.
No entanto, algo curioso acontece com o uso da palavra cão.
Enquanto alguns tutores a utilizam normalmente, outros evitam chamá-los assim, preferindo apenas cachorro ou até mesmo nomes carinhosos como au-au, doguinho e filhote. Mas por quê?
A carga cultural do termo cão
O termo cão sempre esteve presente na língua portuguesa, derivando do latim canis, e seu uso é absolutamente correto para se referir ao animal que todos conhecemos e amamos.
No entanto, culturalmente, a palavra ganhou associações negativas ao longo dos séculos.
Expressões como vida de cão (referindo-se a uma vida difícil e sofrida), fazer um trabalho de cão (indicando algo árduo e penoso), e até mesmo a vinculação do termo a figuras demoníacas na cultura religiosa fizeram com que algumas pessoas evitassem usá-lo no dia a dia.
Essa conexão negativa com a palavra pode ser explicada pelo papel que os cães desempenhavam em algumas crenças e mitologias.
Em muitas tradições cristãs e folclóricas, o cão negro era visto como uma criatura mística, associada ao sobrenatural ou ao submundo.
Além disso, figuras como o cão do inferno reforçaram esse imaginário.
O cachorro no imaginário popular
Por outro lado, os cães também foram sempre símbolos de lealdade, proteção e amor incondicional.
Civilizações antigas, como os egípcios, tinham cães sagrados, e na mitologia grega, Cérbero, o temido cão de três cabeças, guardava o mundo dos mortos, demonstrando a importância do animal até mesmo no pós-vida.
Se olharmos para a história moderna, veremos cães sendo verdadeiros heróis, seja auxiliando em resgates, na polícia, no pastoreio ou apenas sendo companheiros leais e terapeutas naturais para seus tutores.
Esses aspectos positivos convivem lado a lado com a herança linguística que, em algumas culturas, gerou um viés negativo para o termo cão.
Preconceito ou preferência?
Evitar chamar o cachorro de cão seria, então, um preconceito linguístico ou apenas uma escolha pessoal?
A resposta pode variar de pessoa para pessoa.
Há quem simplesmente ache a palavra pouco afetiva e prefira os termos mais próximos do carinho diário que sente pelo seu pet.
Outros, por influência religiosa ou cultural, associam o termo a algo negativo e escolhem não usá-lo.
O curioso é que esse fenômeno não acontece apenas com os cães.
Muitas palavras ao longo do tempo sofreram mudanças de significado ou de carga emocional.
Termos que antes eram neutros podem ganhar conotações positivas ou negativas conforme o contexto histórico e social em que estão inseridos.
No caso do cão, a dicotomia entre o companheiro leal e as referências místicas ou religiosas tornou a questão ainda mais complexa.

O amor pelo cachorro vai além das palavras
Independentemente de como você chama seu pet, o que realmente importa é o carinho, a dedicação e o respeito que oferecemos a eles.
Os cães, ou (se você preferir), os cachorros, não se preocupam com a nomenclatura, mas sim com a forma como são tratados.
Eles reconhecem vozes, expressões faciais e emoções, respondendo ao tom de afeto muito mais do que às palavras exatas que usamos.
Talvez a reflexão mais interessante sobre esse tema seja a de que, independentemente da palavra que escolhemos, o vínculo entre humanos e cães continua inabalável.
o fim das contas, são nossas atitudes que definem o que eles significam para nós, e não o vocabulário que usamos.
E você, como costuma chamar o seu melhor amigo de quatro patas?
Prefere cão, cachorro ou algum apelido carinhoso? No final das contas, o que importa mesmo é o amor que sentimos por esses seres incríveis.